sábado, 31 de março de 2012

...DE MADRUGADA

Era um balde

Onde uma goteira pingava
E fazia um barulho de nada.

Gotejava, gotejava lá fora

Enquanto o gato ronronava
E tremia de frio.
A goteira pingava
E fazia um barulho de nada
Enquanto em um quarto
Dois copos tilintavam
Em um brinde entre gargalhadas.
A meia luz se apagava
E um barulho de vidro ao chão
Cortava o som da goteira
Que pingava e fazia
Um barulho de nada.

Era o som de um quarto
Onde o amor existia.
Entre o ranger de uma cama
O som de corpos que se encontravam
Rolando ao chão
Enquanto a goteira pingava,
Pingava e fazia um barulho de nada.
Uma coruja cantava
Não era cotovia
Não eram Romeu e Julieta
Eram dois em um quarto
Um quarto sombrio
Em meio a um bairro vazio.
No quarto o amor crescia, explodia
Entre gritos de êxtase e satisfação,
Até que tudo caía, deixando no ar
Um silêncio de morte
Silêncio profundo
Enquanto a goteira pingava
Gotejava e fazia um barulho
Ensurdecedor, enlouquecedor.

Era só madrugada
Enquanto um motor ligado partia
E no quarto,
O silêncio cortado por soluços
De lágrimas de infelicidade
E prostituição
Se misturavam com uma
Simples goteira
Que pingava, chorava
E fazia um barulho de nada

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