domingo, 18 de março de 2012

Guerra e Paz - do Fantástico Portinari

        São Paulo já é uma cidade que por si só, me cativa. Entro em suas ruas e começo a respirar cultura. Uma cultura fresca, sem os quarenta graus desta nossa região quente. E a visita a São Paulo não é por um propósito comum. É para ver duas obras monumentais: Guerra e Paz, de Portinari. Já na entrada do memorial da América Latina tudo remete para a obra. Cartazes, folders; tudo chama para a visão destes grandiosos painéis. Os imensos quadros Guerra e Paz foram encomendados pelo governo brasileiro ao grande artista da cidade de Brodowski, Cândido Portinari, para presentear a sede das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Demorou quatro anos para ficarem prontos, de 1952 a 1956. Cada quadro possui 14 x 10m e é formado por vinte e oito placas que foram pintadas separadamente. Devido a uma reforma em sua sede e atendendo a um pedido do governo brasileiro, a ONU entregou a guarda dos painéis ao Projeto Portinari até agosto de 2013. A entrada na sala de exposição é chocante. Eu, minúscula diante dos dois quadros. Um de cada lado. Não sei para qual dos dois olho. Logo, meus olhos elegem seu favorito. É a Guerra. Portinari não retrata a Guerra em clássicos tons vermelhos e negros, mas em azul. Um azul forte e diferente (tom de azul que só o mestre consegue criar) e a cor se repete em cada quadro do todo. Não há armas, nem batalhas. A Guerra é ratratada pela dor de mães que perderam seus filhos, esposas viúvas e crianças orfãs de Guerra que elevam seus braços ao céu como se perguntassem: por quê?. Silenciosamente a morte cavalga entre aqueles que seguram seus mortos nos braços pela última vez. É uma Guerra silenciosa. É a injustiça, a desigualdade e a fome que matam nessa Guerra e não as armas. Diante de tanta majestade, me calo. Quando meus olhos começam a ficar úmidos eles são atraídos para a Paz. Uma Paz em tons dourados. E onde há Paz, há crianças que brincam em balanços, gangorras, um canto em coro infantil, mulheres em uma ciranda e uma noiva de azul levada pelo seu noivo em um cavalo branco. Quando olho para Paz parece que ouço uma sinfonia, uma música feliz, uma canção de alegria, com risos de crianças ao fundo. O coração parece que gira junto e a cabeça também. Estou extasiada. Mas apesar de toda luz que emana da Paz é para a Guerra que meus olhos retornam. Seria pelo fascínio que a morte insiste em exercer sobre nós? Ou sobre mim? Fascínio ou medo? O medo da morte não seria nossa pior Guerra (interior)? Não compreendo. Só sei que meus olhos não descolam do painel. Isso é arte e como disse o próprio Portinari “…uma pintura que não fala ao coração não é arte, porque só ele a entende.”

2 comentários:

  1. Oi Maria Antônia!

    Parabéns pela iniciativa! E bem-vinda ao mundo dos blogueiros!

    Rodrigo
    http://rodrigoveneziani.blogspot.com.br/

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    1. Oi Rodrigo
      Saiba que foi você que me inspirou. Não perco uma atualização do seu Blog.

      Beijos

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