quinta-feira, 15 de março de 2012

A Saúde Começa em casa

        A Campanha da Fraternidade deste ano trata da Saúde Pública: Fraternidade e Saúde Pública. “Que a saúde se difunda sobre a terra.” (Eclo 38,8)  
Segundo o próprio texto-base da campanha da fraternidade “saúde não é apenas ausência de doenças assim como a falta de saúde, não é só a presença da dor ou do mal físico”.
Em minha época de criança, o câncer era uma doença tratada como tabu. Minha mãe nem pronunciava a palavra “câncer”. Referia-se a ele como “aquela doença”. Ter câncer significava ter a morte batendo à porta. Felizmente hoje a situação é outra. As chances de vencer completamente diversos tipos tumorais com as armas disponíveis nos hospitais brasileiros nunca foram tão altas como agora. Praticamente 60% deles podem ser eliminados. Alguns tipos mais agressivos de câncer, que antes matavam os pacientes em questão de meses, já podem ser controlados.
O que mudou? A tecnologia? A medicina avançou? Sim. Com certeza. Mas, além disso, outro fator muito importante contribui para isso.
Quando uma pessoa é diagnosticada com câncer é comum ver toda a família unir-se em torno do doente numa corrente de orações, atenção e carinho. A luta contra o câncer ocorre, com tratamento sério sem dúvida, mas também com mudanças no estilo de vida, com o diagnóstico precoce, e com uma participação maciça da família e dos amigos.
Ainda segundo o texto-base da Campanha da Fraternidade: “Saúde Pública é a ciência e a arte de evitar a doença, prolongar a vida e promover a saúde física e mental, através de esforços organizados da comunidade.”
         Mas quem é a comunidade? Comunidade somos todos nós e cada um de nós. O cuidado à saúde não é obrigação exclusiva do poder público. Grande parte, senão a maior parte da atenção a saúde deve partir de dentro das nossas casas. A família representa, na verdade, a unidade básica de atenção à saúde; é o primeiro nível de atenção à saúde. Nesse sentido, o cuidado familiar constitui o fundamento do cuidado comunitário. Dizem as pesquisas científicas que 80% das doenças menores são diagnosticadas e tratadas em casa, sem a intervenção dos profissionais de saúde. E além de curadas a maioria delas pode ser prevenida, evitada.
         Por exemplo, em recém nascidos infecções de ouvido, diarréias e reações alérgicas podem ser evitadas com o aleitamento materno. O leite materno, normalmente possui todos os nutrientes que o bebê precisa nos primeiros meses de vida.
O cuidado com os alimentos também é um fator importante a ser observado. Primeiro e mais importante é evitar alimentos industrializados que contenham corantes e conservantes o que pode provocar alergias e mesmos várias doenças gastrintestinais, entre elas, o câncer. Mesmo os alimentos naturais exigem o cuidado da higiene. Esses alimentos, ao chegarem à casa, devem ser muito bem lavados em água corrente, descascados e cozidos, para se eliminar o mais possível pesticidas, bactérias e outros elementos. Cuidado com os alimentos exige ainda o controle da temperatura em que eles são mantidos, principalmente levando em consideração o calor da nossa região; a desinfecção com hipoclorito, além da higiene das mãos que o prepara. Aliás, não é só a higiene dos alimentos que é importante, mas a higiene da casa, das roupas, previne infecções de pele, alergias, e infecções respiratórias.
A água também pode servir de reservatório para muitos microorganismos causadores de doenças. Por isso, quando não se tem água tratada ou filtrada é necessário que ela seja fervida antes de consumida.
Outro problema de saúde frequente nos dias de hoje é a obesidade. Problema que geralmente começa na infância e na adolescência. É comum os pais criticarem seus filhos obesos, reclamando que eles comem demais, que não querem comer verduras nem legumes e só gostam de comer besteiras. Mas é muito importante observar se os maus hábitos alimentares do filho não refletem a alimentação da família. É maldade a criança tomar, por exemplo, suco de acerola enquanto o pai e a mãe tomam coca-cola na refeição. A mudança na alimentação precisa envolver toda a família.
O melhor ensinamento é o exemplo. E por falar em exemplo, como pode um pai ou uma mãe fumante, evitar que seu filho também fume. Ainda criança recebendo uma dose diária de fumaça no ar que respira. A criança só não segura o cigarro ainda, mas já fuma. Daí para o vício é um “pulinho”, como se diz. E o fumo é o principal responsável por inúmeras doenças, respiratórias e cardíacas.
         Outro fator perigoso que na maior parte das vezes passa despercebido na mesa da família é uso excessivo do sal. Muito sal nas refeições é um excelente pré-requisito para a hipertensão, a famosa “pressão alta”, inimigo silencioso que na maior parte das vezes convive conosco sem se manifestar e de repente pode provocar um infarto, causando danos irreversíveis à saúde ou mesmo provocando a morte. As famílias estão, cada vez mais, substituindo a alimentação tradicional da dieta (arroz, feijão, verduras) pela comida industrializada, mais calórica e menos nutritiva, com reflexos no equilíbrio do organismo, podendo resultar em enfermidades como a própria hipertensão e o diabetes.
                   E o álcool? Ele está entre as drogas de maior relevância no Brasil. Estima-se que 11,2% da população sejam dependentes de álcool. A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo aponta em uma pesquisa que metade dos adolescentes que faz uso abusivo de bebidas alcoólicas tem pai ou mãe que também ingere álcool com frequência. Para eliminar esse vício da sociedade não basta abordar o jovem ou adolescente. É necessária a conscientização dos pais que bebem próximo aos seus filhos. Se o vício começa em casa, o combate a ele também deve começar.
Muitos dos dependentes químicos (que usam cocaína, craque, maconha) iniciam seu relacionamento com as drogas exatamente no lugar onde se acreditaria que estariam mais seguros: dentro de casa. É em casa, em família, que as crianças aprendem como se relacionar com as substâncias químicas. Não há dúvidas que as crianças e os adolescentes que iniciam o uso de remédios e drogas vêem no exemplo das pessoas mais velhas uma atitude a ser imitada. Ou pelo menos se não encontram nos pais o exemplo de uso das drogas também não encontram neles o apoio, o amor e o suporte que precisam para resistir a elas ou para abandoná-las. Falta de amor, de diálogo, de carinho, de atenção, de presença estão listados entre os principais motivos que levam os jovens em busca das drogas. E droga mata. Sabia?
         Outro grande mal da atualidade que vem colecionando vítimas e é nossa velha conhecida é a dengue. Como não existem formas de erradicar totalmente o mosquito transmissor, a única forma de combater a doença é eliminar os locais onde a fêmea se reproduz. Cerca de 85% dos focos do mosquito transmissor da Dengue estão dentro das residências. A medida mais eficiente para o controle da doença é diminuir o número de criadouros nas residências.
Quando falamos em combate a certas doenças e manutenção da saúde dentro de casa não podemos esquecer o cuidado especial que merece a saúde dos mais idosos. Principalmente no que diz respeito à medidas que evitem os acidentes domésticos, causa principal de mortes entre os mais velhos. Entre os fatores que provocam acidentes domésticos estão: escadas principalmente aquelas que não têm corrimão, a presença de tapetes avulsos, carpetes e tacos soltos, pisos escorregadios, má iluminação do ambiente e outros pequenos detalhes que só dependem do nosso bom senso.
A transição do estado adulto para a velhice é um processo que provoca grandes alterações na auto-estima destas pessoas, que deixam não só de ser valorizadas pela sociedade, como passam também a necessitar de outros tipos de apoio. Diz a autora Josias Gyll, “a maioria dos idosos não vive, existe. E, existir sem ser visto é uma espécie de morte”.
Obviamente que o cuidado à Saude por parte da família não exclui e nem diminui a responsabilidade dos governos públicos sobre a questão.
Façamos a nossa parte e "que a saúde se difunda sobre a terra."

Um comentário:

  1. Na nossa sociedade a educação é muitas vezes feita pela forma de imposição, nunca se demonstra a razão para o educando e ele sempre se pergunta ¨por que não posso fazer isso?¨ Como a informação é recebida de forma vazia, sem conteúdo para análise, o jovem começa a questionar. Assumir a realidade que nos cerca, sem rejeitá-la ensina aos jovens como viver em uma sociedade com tantos conflitos.
    (Marcos Alberto Ferreira).

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