quinta-feira, 5 de abril de 2012

SENHOR! É MINHA TUA PAIXÃO!

O filme de Mel Gibson intitulado “Paixão de Cristo” é um clássico que sempre volta à tela da TV nesta época de semana santa. Trata-se de uma encenação dramática que relata, de maneira relativamente fiel às escrituras cristãs, as últimas doze horas da vida de Jesus Cristo. Real. Forte. Doloroso. São as mãos do próprio diretor que aparecem na cena em que Jesus Cristo está sendo pregado na cruz. São as nossas mãos que pregam Jesus Cristo na cruz. O filme choca. A violência da flagelação. O mar de sangue que inunda as feridas e as feições castigadas de um homem cujo “pecado” foi voltar-se contra o domínio dos poderosos. Pois é! Vejam como é antiga e eterna essa luta. Mas, isso é uma outra história.
Hoje, assistindo talvez pela centésima vez a este filme e tentando incorporar as dores da Paixão ocorreu-me o quão minha é essa história também. Quando deparo-me frente a frente com a minha cruz, quando estou com o corpo inteiro e o coração dilacerados, quando estou sangrando à beira da morte, também sou abandonada por aqueles que juraram ir comigo para onde quer que fosse. Assim como os discípulos abandonaram Jesus, também aqueles que julguei amigos se vão. Estiveram ao meu lado enquanto recebi títulos e coroas, mas não estão ao meu lado para ajudar-me a carregar minha cruz. Às vezes, quem ergue minha cruz é alguém até então desconhecido e o socorro vem de onde eu não espero. Antes mesmo que o galo cante, quantos já me negaram.
O meu calvário se aproxima e aí o abandono é inevitável e de nada adianta a presença da minha doce mãe ao pé da minha cruz, louca para trocar de lugar comigo, arrancar a minha dor e vivê-la ela. Por mim. E quando meu sangue jorra como cascata de água farta banhando o chão, é só ela, a mãe, que toma em suas mãos o linho branco e recolhe cada gota dele para não permitir que nenhuma parte de meu corpo seja profanada (esta cena é muito forte). De nada adianta a presença de um irmão amado ao lado dela. A presença de ninguém importa mais. Enfim, o momento do meu calvário é um momento entre mim...e Deus.
Quando a dor transpassa como uma lança o meu coração, somos apenas eu e Deus. Quando os pregos que me prendem à cruz, atravessam minhas mãos e pés, somos eu e Deus. O momento da dor extrema é um momento meu com Deus. Só ele importa. Quando o cheiro do mundo já me foge dos sentidos,  sinto o coração diminuindo o ritmo compassado e então percebo que está na hora de morrer para esse mundo. Quando a morte dessa velha mulher se aproxima, somos só eu e Deus.
E ainda que todo o mundo me abandone, é nos braços de Deus que vou repousar depois da cruz. E quando tudo mais me faltar, não me faltará a mão de Deus me segurando forte, porque apesar de dizer “Meu Deus! Por que me abandonaste?” Não! Ele não! Ele nunca me abandonou. É no colo de Deus que vou sentar-me depois de entender que nada mais neste mundo importa. E depois de três dias...ah! Depois de três dias ressurgir como Cristo é o que me aguarda. E depois da ressurreição nada mais deste mundo poderá me tocar, porque se sou de Deus... é para o céu que eu vou.

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