sexta-feira, 18 de maio de 2012

HARRY POTTER (DA GENIAL J.K.ROWLING) - UM CONTO DE FADAS (OU DE BRUXAS) DOS TEMPOS MODERNOS


No meu tempo de criança os contos de fadas eram usados como importante recurso na educação de crianças e adolescentes. No final, sempre aparecia a “Moral da História”. Ou seja, os ensinamentos que podíamos tirar daquela fábula e aplicar à nossa vida cotidiana. Em plena era da tecnologia e da globalização, onde tudo circula rápido demais, os contos de fada também mudaram, mas ainda continuam, no final de tudo ou no decorrer da história, nos dando boas lições. Na minha idade talvez eu já devesse ter superado essa coisa de contos de fadas e coisa e tal. Mas algumas histórias estão acima dessa coisa de idade, de sexo, de nível cultural e são atemporais. Ou melhor. Algumas histórias são eternas. Este é o caso do mais brilhante conto de fadas (ou de bruxas) dos tempos modernos (em minha apaixonada opinião): Harry Potter.
J.K. Rowling, a autora, conta a história do mundo dos bruxos onde três bruxinhos ainda crianças vão gradativamente criando fortes laços de amizade e de valores. Ao mesmo tempo cria um universo paralelo cheio de personagens menores e suas histórias vão se encaixando perfeitamente à história central. Para um HP infantil de 11 anos, a autora cria uma história cheia de encantos e de fantasias infantis. A pedra filosofal é uma história leve e cheia de magia. À medida que o tempo passa, HP cresce e amadurece e junto com o personagem a história também amadurece. Um personagem mais maduro já enfrenta problemas mais reais. Em Cálice de Fogo, HP vê-se diante da morte de um amigo. Já não se trata mais de um universo infantil e, aos poucos, HP vai convivendo com perdas cada dia mais próximas: Cedrico, no quarto livro; Sírius no quinto; Dumbledore no sexto. HP vai ficando endurecido pelo sofrimento até estar perfeitamente maduro. Até estar pronto para a pior perda de todas: a da própria vida. Em nenhum momento JK banaliza a morte. Ela é tratada sempre como um inimigo cruel, implacável e sem solução até que Harry se vê diante da necessidade de morrer para salvar todos aqueles que ele aprendeu a amar. Então, “aceita a morte como uma velha amiga”, como diz o conto dos três irmãos de Beadle, o bardo. Aos poucos HP se dá conta de que a vingança não é importante. É necessário lutar por um bem muito maior: o direito a ser livre. O ultimo livro é denso, forte. Traz conflitos sérios e decisivos para a vida dos personagens: a lealdade, a confiança, a amizade, a partilha, são temas tratados com ternura e profundidades que raras vezes vi em uma história infanto-juvenil. Ah! Mas a essa altura a história de HP já deixou de ser infanto-juvenil e já é coisa de gente grande.
Na adaptação para o cinema, os personagens de HP ganharam rostos, formas. Ganharam vida. É fantástico ver um Ralf Fiennes transformar-se em Lord Voldemort, o Bruxo do mal. Um vilão extremo, louco pelo poder. Normalmente, em livros e filmes os vilões são bobos, sempre demoram demais pra puxar o gatilho e ficam “brincando com a comida”. Voldemort é um vilão inteligente que premedita cada passo. Um psicopata. E não bobeia na hora de lançar seu “Avada Kedavra”. É implacável quando mata Lílian e Thiago.
Estrelas de primeira grandeza brilham ao lado de meros desconhecidos (pelo menos até então). No terceiro filme, o maravilhoso Gary Oldman (o eterno Drácula) dá vida ao não menos espetacular Sírius Black, um homem destemido, irreverente, apaixonante. Infelizmente sua participação é curta (mas decisiva), na história. A história de HP cresce tanto à medida que se aproxima do desfecho final que até o logo da Warner vai ficando mais sombrio e a música incidental mais dramática. Harry, Rony, Hermione, conquistaram meu coração embora eu não seja adolescente. É que valores como esses trabalhados em HP são eternos. Queria que a história não tivesse acabado.
Antigamente, ser chamada de bruxa era uma ofensa e tanto. Hoje, para fãs de HP ser chamada de bruxa é um elogio. HP mostrou que não é uma coisa ruim ser bruxo, que os bruxos não são maus. São apenas, diferentes, como tantas outras diferenças. Muitas vezes fiquei imaginando um passeio de vassoura na noite fria com uma capa esvoaçante e a minha silhueta escura de encontro com uma lua cheia grande e brilhante. Quantas vezes imaginei o gosto da cerveja amanteigada, do suco de abóbora, um sapinho de chocolate...humm! E até o amargo gosto do Esquelesce...! Imaginei a sensação maravilhosa do vento batendo no rosto, enquanto cortava o campo em uma partida de quadribol, para finalmente fechar meus dedos ao redor do pomo de ouro. E até hoje sinto vontade de chorar ao recordar Dobby: "que lindo lugar para se estar com os amigos". Quem me dera ter tido um amigo como ele. Harry é especial por isso. Não tem preconceitos. É amigo de quem quer ser seu amigo. Não importa que seja bruxo, trouxa, gigante ou elfo doméstico. Ah! Os sonhos e as fantasias são mesmo muito mais vibrantes que a realidade.
Enfim, HP é tão perfeito que só pode ser uma história real. Tenho certeza que JK Rowling é na realidade uma Hermione Granger ou uma Gina Weasley que resolveu contar sua verdadeira história para o mundo dos trouxas.

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