domingo, 10 de junho de 2012

PAZ E JUSTIÇA

Neste tempo em que a sociedade global mergulha em profunda crise ética, cabe lembrar que nem tudo que é justo aos olhos da lei é justo aos olhos de Deus. Nem tudo que é legal (permitido pela lei), é ético ou moralmente correto. Por exemplo, o que é violência para você? E nós? Diante dela, o que fazemos? Sentamos de braços cruzados em frente a TV, ouvimos estas notícias, julgamos, condenamos e agimos como?? Não agimos. Só falamos.
É a violência da rua que te assusta? Os assaltos? As agressões? As brigas? As drogas?
Se observarmos nosso dia a dia, desde o acordar até o adormecer, na nossa família e na família do outro lado, podemos crer no que dizem as estatísticas: 80% das violências acontecem dentro de casa com grande repercussão nas crianças, que muitas vezes carregam as marcas pelo resto de suas vidas, tornando-se agressivos, violentos. Buscando saída nas drogas, no álcool.
A PAZ começa em casa. A Pastoral da Criança alerta: “É fundamental  que entendamos que é dentro da família que a pessoa começa a ser educada tanto para a violência quanto para a paz. É preciso criar UMA CULTURA DO AMOR no ambiente familiar.”
Em que condições estamos criando nossa família? Na cultura do amor e do diálogo? Ou na cultura do medo? Na base do “eu sou seu pai, eu mando aqui”, ou na base do “criança não tem querer”? É na cultura do grito ou na cultura dos argumentos lógicos que estamos criando nossos filhos?
São os roubos que te põem medo? São os assassinatos? Bandidos cruéis tiram teu sono? E pra você?? Bandido bom é bandido morto? É?? Se você pensa assim com certeza você seria um dos que gritaram para Pôncio Pilatos “crucifica-o”, referindo-se a Jesus Cristo. Você acha que estou comparando Jesus a um bandido do nosso tempo? Lembre-se: para os que crucificaram Jesus, ele era bandido. E o bandido que você condena pode ser inocente.
E a justiça de Deus segue outros caminhos. Jesus, o único que podia julgar e condenar na sua última hora dá ao ladrão do seu lado o PERDÃO e não a condenação.
E mesmo que o bandido seja bandido mesmo...e se ele fosse seu filho? Ainda assim você o queria morto? Não seria melhor se ele pudesse ser recuperado? Se ele enxergasse outras possibilidades na vida além do crime? Nós, na maioria das vezes nos deixamos levar pela falsa idéia de que a violência e a maldade já nascem com o ser humano. Quem é mal já nasce mal e nada vai mudá-lo. “pau que nasce torto, morre torto”, dizia minha avó. Desta maneira, nós contribuímos para perpetuar preconceitos, e... verdade, verdadeira, não “estamos nem aí” para o sofrimento alheio. Existe um profundo descaso em relação à situação dos presidiários no Brasil. Nossas leis se preocupam em punir e não em recuperar. O caos das penitenciárias brasileiras é tão grande que é comparado por especialistas a uma bomba-relógio que poderá explodir a qualquer momento. O sistema penitenciário agride, violenta psicologicamente e fisicamente os detentos. Os índices de suicídio nos presídios são assustadores. Homicídios acontecem a todo momento e os que retornam as sociedade saem  três vezes mais violentos do que entraram. Conflito gera conflito. Medo gera medo. Violência gera violência.
Que justiça estamos criando? A paz é fruto da verdadeira justiça e não de uma justiça de fachada. O apóstolo Paulo de Tarso, em Carta aos Hebreus, diz: "Lembrem-se dos presos como se vocês estivessem na prisão com eles. Lembrem-se dos que são torturados, pois vocês também têm um corpo" (Hb 13, 3). E para você, o que é paz? Deve-se lembrar que "paz" não constitui apenas a inexistência de guerras, mas é também o respeito aos direitos humanos, o respeito aos direitos do outro, é a prevalência da verdade sobre  a mentira, é o direito preservado a um trabalho digno para o sustento honesto da família, e o respeito ao ambiente em que vivemos e acima de tudo é abrir o coração para os ensinamentos estabelecidos por Deus.
Estamos vivendo a época da globalização. Em segundos falamos com alguém do outro lado do mundo. A internet rompeu todas as fronteiras de países e continentes. Já globalizamos a cultura, a ciência e até a crise. Só não globalizamos ainda, a PAZ. Basta mais um passo para efetivarmos a globalização da paz. O que falta é uma profunda transformação espiritual e moral. Trata-se de passo grandioso, mas é um só. Ele pode e precisa ser conquistado no interior de cada coração, família, comunidade, grupo social, empresa, governo e nas inter-relações entre eles. A paz só será possível quando forem reduzidas as inúmeras desigualdades pelo mundo, de modo especial as imensas desigualdades entre os muitos países pobres e miseráveis e os poucos países que concentram riquezas.
A Paz brota onde as sementes da justiça encontram corações, consciências e mãos abertos à partilha, à cooperação, ao respeito, à tolerância, à compaixão e à reconciliação.
A prática da verdadeira justiça deve ser um esforço permanente de promoção da vida. Somente essa justiça é que pode garantir a paz duradoura!

Nenhum comentário:

Postar um comentário