sábado, 20 de julho de 2013

LER É SEMPRE UMA VIAGEM!

Às 22 h da sexta-feira, 19 de Julho, deitei-me para uma noite agradável de sono, mas, como sempre faço antes de dormir, para ler um pouco também. Hoje, para iniciar um livro novo: O Príncipe da Névoa de Carlos Ruiz Zafón. Gosto desse autor porque já havia lido outros livros dele como A Sombra do Vento e O jogo do Anjo. Mas quando comprei esse livro comprei com o objetivo de uma leitura leve já que se trata de uma história juvenil.
Não consegui parar de ler. Parei agora, porque acabou. Li todo o livro de uma só vez. Agora é sábado, 3:40 h da madrugada. E eu sinto que assim como os personagens dessa história também não vou conseguir dormir enquanto não registrar minhas impressões sobre essa noite surpreendente. Carlos Ruiz Zafón é um autor denso. Ele consegue penetrar no mais profundo interior dos personagens e registra seus pensamentos e conflitos como ninguém. Não há um final feliz. Mas a história deixa claro que pagaremos caro pelos nossos pactos. E se não pagarmos, a dívida vai ser cobrada das pessoas que amamos. A figura diabólica criada pelo autor, que volta da morte para cobrar seus devedores me remete a tantos pactos que fazemos em nossa vida e não nos damos conta de que eles sempre cobrarão um alto preço por aquilo que queremos conquistar a todo custo. Estamos a todo o momento fazendo pactos com o trabalho, com o dinheiro, com as bebidas, com as drogas, com os prazeres. Mas sempre vamos ser cobrados por isso. E nem sempre somos nós que pagamos a conta. Às vezes é nossa família, a quem não damos atenção. Nossos companheiros a quem não amamos como deveríamos. Nossos filhos, na vida de quem não estamos presentes quando precisamos estar. Não importa se na trajetória de nossas vidas a gente se arrependa de tudo e resolva quebrar o pacto. Ele sempre vai ser cobrado, até que algo muito importante para nós morra ou se perca. 
Como uma história de personagens adolescentes pode sacudir tanto as nossas estruturas e nos levar a pensar tanto em nós mesmos? Lágrimas no final da leitura são comuns, quando a gente vê que mesmo depois de tanta torcida, de respiração interrompida, de suspense, o mocinho da história se vai... Que linda história ainda que fastástica ou fantasiosa. Afinal, quantos são os fantasmas que rondam a nossa vida e quantas são as histórias de terror real que assolam nossos corações e nossas mentes nesses nossos dias cada vez mais carentes de sonhos.
Obrigada Zafón, por transformar horas entediantes de férias numa viagem profunda ao interior das minhas fantasias para sacudir a poeira dos meus próprios fantasmas. Ganhei várias horas nessa noite.

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